
Era setembro de 1976 quando a União Imperial recebeu no salão da Associação Atlética Portuguesa Santista uma comitiva ilustre. Baluartes da Estação Primeira de Mangueira, como Ciro, Darci, Delegado e Dona Zica vieram a Santos para "batizar" a Verde e Rosa, que havia sido fundada seis meses antes.
A União realizaria seu primeiro desfile no ano seguinte e, dali prá frente, o resto virou história. Uma certeza ficou: era preciso retribuir aquele gesto nobre, então, se tornou um desejo da escola de samba do Marapé.
As circunstâncias e oportunidades adiaram este sonho antigo por 32 anos. A Mangueira chegou a ser lembrada em alguns enredos, como em 1993 - "Aos Mestres Com Carinho" -, mas nunca como tema central.
Até que, em 2008, após uma reaproximação mais efetiva entre as diretorias das duas agremiações, a intenção finalmente se tornou uma realidade. Convidada para receber uma homenagem na Feijoada da Família Mangueirense, a União Imperial foi ao Rio de Janeiro - representada por diretores e componentes - e de lá voltou com a certeza de que este seria o momento de mostrar ao povo santista a saga da nação mangueirense.
Encontros do diretor geral de carnaval, Heldir Lopes Penha, com a então presidente Eli Gonçalves dos Santos - "Chininha" e com o vice-presidente cultural Fernando Antonio Guerra Peixe, que muito contribuiu para a pesquisa histórica, oficializaram o enredo. Por meio de enquete no site da União Imperial, decidiu-se o nome:
"Todo mundo te conhece ao longe... Mangueira, Um Ato de Amor ao Samba em 80 Carnavais", de autoria de Camilo Martins e Lúcio Nunes.
Motivado pelo tema de grande repercussão, o Concurso de Sambas-Enredo foi acirrado. Onze sambas iniciaram a disputa, até quatro deles se credenciarem para a grande final: as parcerias capitaneadas por Gustavo Santos, Edu, Walmir Tibiriçá e Saúva.
Recebendo a ilustre presença do vice-presidente Guerra Peixe, a Finalíssima se realizou na Quadra da Escola. Saiu vitoriosa a parceria de Gustavo Santos, Fernando Negrão e Imperial. "É um samba que tem a cara da Mangueira", afirmou o dirigente carioca após a divulgação do resultado.
Já com o barracão em pleno funcionamento, a União Imperial ganhou ainda mais um "reforço" forjado nas tradições mangueirenses: Julio Matos. Filho do consagrado carnavalesco
Julinho Matos, ele integrou-se à equipe da escola e trouxe o estilo que deu à Mangueira inúmeros títulos para a Verde e Rosa do Marapé.
Foi um grande desfile, digno das tradições que as cores verde e rosa simbolizam para o samba. Com cinco carros, 16 alas e homenagens aos ícones mangueirenses como Cartola, Delegado, Jamelão, Dona Neuma e tantos outros, a União levantou a avenida e encerrou seu desfile já com o dia amanhecendo, como nos tempos de Passarela do Samba na orla da praia. Num momento de muita emoção, apresentou ao povo santista o pavilhão mangueirense, conduzido pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira convidado, Valdir e Roberta.
Uma homenagem que fortaleceu o vínculo entre Mangueira, União e o Carnaval Santista. E que, certamente, resultará em novos frutos daqui para frente, com parcerias em âmbito cultural quanto social.

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